Todas as encomendas feitas entre os dias 8 e 23 de Agosto serão enviadas a partir de dia 25 de Agosto.

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Frank Ocean

Não consigo definir qual o gênero musical com o qual mais me identifico. Ao longo da minha vida já tive várias fases talvez associadas aos amigos da altura. Já ouvi Metal, já tive a minha fase MPB e com os brasileiros contemporâneos, já consumi só música portuguesa e numa altura em que a música dava os primeiros passos na internet subscrevi um serviço chamado e-music e aí comecei a explorar a minha vertente Indie.
Mas há coisas que não vamos gostar a menos que nos forcemos a gostar.
De certeza que na comida há coisas que não gostávamos enquanto crianças e mais tarde forçámo-nos a gostar ou pelo menos a não odiar, outro dia tive desejos de ervilhas e souberam-me muito bem.
Todos os anos quando são lançadas as listas dos melhores álbuns gosto de dar uma hipótese a cada um deles, bem não a todos que isso é completamente impossível mas pelo menos a alguns.
Lembro-me que no ano que o Frank Ocean lançou o Blonde era consensual em quase todas as listas que era, senão o melhor, um dos melhores álbuns do ano. Fui ouvir e não gostei, mas humildemente pensei que se tanta gente boa o considerou como um tão bom autor talvez mereça mais do que uma pequena audição fugaz e ouvi outra vez e outra vez e outra vez e passei a gostar.
Talvez dito assim não seja muito bonito mas a verdade é que há coisas que por nos serem estranhas não quer necessariamente dizer que sejam más são apenas isso, estranhas. Daí para a frente a minha relação com a música mudou, abriu-se todo um novo espetro que eu não conhecia e comecei ouvir outros autores, mas o Frank Ocean estava sempre lá, fui-me apaixonando cada vez mais e volto lá as vezes que forem precisas.

>>> Frank Ocean

 

Alexandra Lucas Coelho

Quando andava no liceu apanhava dois autocarros para ir para a escola. O primeiro que ligava a minha casa à cidade demorava mais ou menos 40 minutos. O segundo que me levava do centro da cidade à escola já era mais rápido, eram apenas 10 minutos e na realidade este era só nos dias de chuva, no outros dias íamos a pé. Ao todo na melhor das hipóteses uma hora e vinte minutos só de tempo de autocarro.
Comecei a ler, aproveitava essas viagens para ler. Nunca me fez confusão ler em andamento, era um óptimo escape para passar o tempo e esquecer as milhares de viagens sempre iguais. Era só no autocarro que lia por isso quando a vida muda, começo a trabalhar e deixo de andar de autocarro deixei de ler. Ler é uma coisa que adoro, sei que faz bem mas raramente acho um bocadinho dia para fazê-lo, refugio-me num constante não-tenho-tempo enquanto o meu smartphone me avisa que passo horas a mais agarrado a ele.
Já em idade adulta comprei um livro na feira do livro, chamava-se “e a noite roda” gostei da capa e talvez já tivesse ouvido falar da autora ou talvez não. De qualquer forma os livros comprados na feiro do livro têm outro apelo. Adorei o livro, era uma mistura de escrita ficcionada com jornalismo. Naquele momento quebrei o enguiço com a leitura, voltei a ler e li quase tudo dessa autora, Alexandra Lucas Coelho. Emprestaram-me o “vai Brasil” e fui comprando os outros. Agora estou a fechar a trilogia sobre o Brasil com o “ Cinco Voltas na Bahia e um Beijo para Caetano Veloso “.
Continuo a ler, muito menos do que gostaria, mas voltei a ler e só isso já é bom.

>>> Alexandra Lucas Coelho

 

Fomos há já uns 9 anos pela primeira vez à Casa das Penhas Douradas, estávamos a viver em Lisboa e eu já estava grávida da Amélia.
Este espaço é muito mais do que um hotel, é uma casa, aquela casa onde apetece estar, não só por ser incrivelmente confortável mas porque toda a gente nos faz sentir super bem.
Nessa altura o jantar tinha assinatura de um chefe, que não me lembro do nome, mas ainda me lembro que comemos muito bem, numa mesa corrida, quando ainda as mesas corridas não eram moda.
O projecto incrível é do Arq. Pedro Brígida, muita madeira em harmonia perfeita com a decoração e com todo um trabalho em burel, que nos dá a sensação de estarmos noutro país. Voltámos neste Verão apenas para beber um café, estupidamente ficámos noutro hotel, e foi maravilhoso perceber que tudo está com a mesma magia, os pormenores de madeira continuam a funcionar na perfeição e as pessoas que lá trabalham são escolhidas a dedo porque continuam a fazer-nos sentir em casa. A ida apenas para beber um café torna-se numa tarde onde se respira fundo e se aproveita tudo o que nos rodeia.
Tenho um fascínio enorme de ver trabalho em madeira bem feito.
Uma das casas onde vivemos no Porto tinha sido desenhada pelo Arquiteto Fernando Lanhas e as janelas de correr em madeira continuavam a funcionar como, provavelmente, no primeiro dia.
Voltando à Casa das Penhas Douradas, outra das coisas que me fascinam é a escala, uma escala doméstica, cheia de salas relativamente pequenas onde apetece simplesmente estar. Os quartos são bastante pequenos, acho que o são propositadamente para que as pessoas saiam e aproveitem tudo o resto.
Na faculdade um professor de projecto foi-nos mostrar a sua casa desenhada por ele no bairro da Malagueira em Évora. Os quartos dos filhos eram incrivelmente pequenos, na altura eu não percebi muito bem porquê, agora percebo perfeitamente, é muito melhor que os nossos filhos saiam dos quartos e convivam em família num espaço de todos.
Para a próxima visita à Serra da Estrela quero muito ir conhecer o novo hotel deles, a Casa de São Lourenço.

>>> Casa das Penhas Douradas